Às vezes paro para pensar e me pergunto: Mas você pensa? É uma brincadeirinha infame, que muitas vezes me impedem de pensar coisas ruins. Acredito que seja válida, e não tão sem graça assim.
Às vezes paro para pensar. Às vezes besteira, às vezes coisas boas. Um dia desses passei a enumerar quantas coisas já perdi na vida. Comecei a pensar em coisas materiais, quando lembrei de quantos chinelos de couro perdi só na minha infância, parei a contagem. O número já estava me matando. Eu não podia usar chinelos de outro material, por causa das infinitas alergias da minha vida. Tive alergia ao século XX e agora, tenho ao século XXI.
Às vezes paro para pensar. É neste exato momento que me arrependo de ter uma mente tão fértil e que adora pensar. Imaginem se eu passasse a contar as coisas materiais que perdi na minha feliz adolescência. Época em que perdi tantas coisas. Se os chinelos me fizeram sofrer...
Às vezes paro para pensar. Quando desiste de contar os chinelos passei a contar as pessoas. Confesso que não sofri tanto assim. Passei 25 anos dessa feliz vida escutando que essas pessoas vão e vem. Que as pessoas são boas e más. Que essas mesmas pessoas tem inveja, e que outras são legais sempre. Que as pessoas são amigas e outras apenas fingem ser. Que as pessoas estão na sua vida por um motivo, outras por vários deles.
Às vezes paro para pensar e chego a algumas conclusões. As pessoas e os chinelos fizeram parte de uma bela história. Alguns que ficaram (e algumas que ficaram) me curaram de certas alergias e entendi o cuidado necessário com cada um deles (e com cada uma delas).
Às vezes paro para pensar. De vez em quando a gente zela demais por uns e esquece a importância de outros (e outras). Alguns te fazem bem, ou te fizeram bem e deixaram de te calçar, pois estava na hora deles. Era preciso renovar. Alguns não te fizeram tão bem, mas você superou a perda de cada um deles (cada uma delas). Alguns te acompanham sempre, às vezes de longe, às vezes de tão pertinho que mesmo gostando de ficar descalça, você não os larga por nada desse mundo.
Às vezes paro para pensar. Os pensamentos são tantos, sobre tantas coisas. O mais divertido você percebe pensando. As pessoas e os chinelos precisavam ser perdidos, outros tinham de ser guardados. Definitivamente o que já perdi era necessário perder, outros consegui guardar. Esses me fizeram ganhar novos. Se depender de mim, vão calçar para sempre esse pé cheio de alergias. O que já perdi? Tudo foi na hora certa e na quantidade exata.
2 comentários:
Coisa mais linda do mundo...
Apesar de não simpatizar muito com o binômio pessoas/chinelos, entendo o que quis ser dito por seu texto (ou pelo menos acho que entendo). Mesmo se não entender o que o seu texto quis dizer de forma exata e inconteste, o trabalho do artista (sim, você é uma artista) nos faz pensar em coisas que nem o próprio artista quis dizer. Quantas vezes Vinícius de Morais deve ter ouvido "eu entendo você quando disse aquilo naquela música", sendo que ele não quis dizer aquilo, mas sim aquilo outro. Porém, isso não maculou o trabalho do poeta, que, inclusive, se flagrou mais realizado que outrora.
Enfim, a sua serenidade é a minha serenidade. A sua calma é a minha calma. A sua tranquilidade frente as vicissitudes da vida é a minha tranquilidade.
Beijo maior que o de ontem, menor que o amanhã...
Lalá, ADOREI O SEU BLOG! Ele tem a sua cara, ou seja, é LINDO, e mostra o quanto você é uma bênção para todos da sua família. Fico muito feliz em poder fazer parte dessa família hoje e agradeço muito a vc, a primeira a me abrir as portas desta família, com um sorriso lindo quando eu disse, lá em Porto Seguro: " Nossa! Vc sabe que vc e o Brad Pitt fazem aniversário no mesmo dia?" A partir desse dia tivemos nossa 1ª conversa mais longa e eu descobri que ter uma enteada podia ser uma coisa bem legal!
Com certeza, vc ainda vai encantar muita gente nessa vida e não se preocupe aqueles que não se encantarem, SÃO LOUCOS E NÃO MERECEM SER CONSIDERADOS!!! Beijos, Ana Paula.
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