Amigos leitores fieis, esse texto eu fiz quando estava na universidade ainda, mas como tirei dez, fiquei muito orgulhosa e resolvi postar... eu entendo se não gostarem.
“Seu olhar é maduro, sensível e minucioso. Parabéns, Elen”Esse foi o comentário da professora. Fiquem orgulhosos também.
“As bicicletas de Belleville” e o Jornalista
Como um desenho animado pode dar lições a um profissional que vive do factual? Claro que não posso ser simplista ao falar que os jornalistas só estão preocupados com os fatos. O que tento dizer é que a vida profissional do jornalista é muito corrida, ele tem a preocupação da melhor matéria, da apuração dos fatos, da edição da matéria, com as fontes. São tantas as preocupações, cuidados, pesquisas, conversas que talvez a lição que possa existir no filme passe despercebido.
Um menino órfão, chamado Champion, vivia com a sua avó. Champion um menino triste. Sua avó uma senhora com deficiência na perna fazia tudo para agradá-lo. Deu-lhe de presente o cachorro, Bruno, mas logo o menino o esqueceu. Ela preocupada com o garoto, acaba descobrindo a paixão por bicicletas. O presente que Champion mais gostou. Depois da bicicleta ele não queria mais nada. Uma vida tranqüila: Champion, Bruno e Madame Souza, a avó e o menino começa um treinamento rigoroso comandado pela avó.
Os dias se seguem assim, o menino cresce e se torna ciclista, participando de grandes competições. Madame Souza sempre do lado e o fiel amigo Bruno. Em uma das competições Champion é seqüestrado por homens grandes e fortes. A avó desconfiada de toda a situação resolve sair em busca do neto. Na procura conhece as trigêmeas de Belleville. Elas eram cantoras famosas de cabaret e hoje, apenas senhoras sem boas condições de vida. Por fim as quatro e o cachorro Bruno conseguem encontrar e resgatar o neto de Madame Souza.
O jornalista pode entender toda a trama de uma forma diferente. Se assistir ao filme e fazer uma reflexão da história, levando em conta a profissão, algumas lições podem ser tiradas. Entendam aqui que aminha introdução continua a ser questão, mas digo que as lições podem ser percebidas se forem analisadas minuciosamente. Será que o jornalista tem esse tempo? Bom, vamos para as lições. A questão da desistência. O jornalista não pode nunca deixar a pauta cair, não pode desistir dela, precisa encontrar alternativas para torná-la melhor. Madame Souza mesmo com sua deficiência, um cachorro gordo ao lado e nenhum dinheiro, não desistiu de procurar o neto.
A investigação. Madame Souza não só tentou investigar o fato como também trabalhou suas percepções. Conseguiu enxergar detalhes que a ajudaram a encontrar a solução, ou seja, o neto. O jornalista deve apurar muito bem, sempre. A investigação dos fatos é imprescindível. Ele deve também estar atento ao “faro jornalístico”.
Por último e com a ajuda de terceiros podemos perceber a inversão de poder. Quatro mulheres frágeis. Ou seja, quatro senhoras bem velhas, uma com deficiência na perna, conseguem enfrentar “gangster” de uma cidade grande e perigosa. O jornalista é capaz de enfrentar obstáculos para publicar a verdade.
Talvez eu esteja menosprezando a capacidade que o filme tem de me dar lições. Falo “me dar lições”, porque também estou nesse meio. Sou uma foca feliz. Mas entendam que as minhas preocupações são tantas que encarei com filme como diversão. Uma excelente história. Um desenho engraçado. Oitenta e dois minutos agradáveis que me fizeram esquecer um pouco as inquietações de todos os dias. Vale a pena ganhar esses minutos.
Ficha técnica:
Título Original: Les Triplettes de Belleville
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 82 minutos
Ano de Lançamento (França): 2003
Direção e Roteiro: Sylvain Chomet
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