Então para ele não ficar achando que foi de um todo ruim, resolvi fazer a série Presentes de Papai Noel. E dividir com vocês é claro.
Meu primeiro e melhor presente (os outros da série que me desculpem) foi um yorkshire cinza com caramelo. Pequenino de tal forma que cabe em uma caixa de 40cm X 26cm X 26cm e pesa valiosos 2,5Kg. Chegou com uma carinha de retirante do nordeste. Com as mesmas características da cadela Baleia de Vidas Secas? Lembram? Nick, como era chamado, chegou lá em casa assim. Doente, magrelo, com um nome esquisito, com pelo estranho, carente, cheio de medos. Quando olhei aquela carinha de retirante, a primeira coisa que pensei: Esse cachorro precisa de um nome forte. Tão mirradinho, precisa mesmo de um nome mais imponente. Na época Fidel Castro tinha acabado de se render e “pediu pra sair”. O ditador renunciou à Presidência de Cuba. Um velhinho de 81 anos resistiu tanto. É isso. Esse retirante vai se chamar Fidel.
Amor à primeira vista. Chegou a minha casa num domingo. Na segunda já sai chorando por ter deixado o pobre sozinho. Durante um bom período, Fidel deu muito trabalho. Muito mesmo. E eu marinheira de primeira viagem, tive trabalho dobrado. E para piorar ninguém podia afirmar o que de fato ele tinha, já que veio pra mim com cinco meses. Muito tempo para um cachorro.
Fidel resistiu. E agora, como diz o avô Jorge Luiz, ele é “menino” da Zona Sul, cheio de marra, anda na frente como se conhecesse tudo e todos, briga quando quer atenção, sobe em todos os lugares da casa, não respeita limites, não se preocupa com muita coisa, quer saber de comer bem, dormir bem e brincar. E ainda tira onda, viaja de férias para o RJ. Isso é que é privilégio.
Fidel tornou-se o xodó da casa. A avó Rita de Cássia que acordava todos os dias de mau humor, agora levanta cantando e distribuindo sorrisos e beijos. Ele virou o dono da casa. Ocupe o lugar dele no sofá. Na verdade sente no sofá. Acho que não é uma boa ideia. Na verdade mesmo ocupe qualquer lugar da casa que ele julga ser de uso exclusivo do Fidel. Se eu fosse você não arriscaria. Fidel é capaz de retribuir todo tempo dedicado a ele. Cada lágrima, cada carinho, cada cabelo branco de preocupação, cada centavo que gastei com o tratamento dele. Fidel mal sabe, mas gastaria o dobro se fosse preciso.
Fidel tem um sorriso estampado no rosto quando me vê. Fidel deita no meu peito e parece dizer: calma, mamãe, vai dar tudo certo. Fidel lambe cada lágrima que ousa cair, e faz questão de brincar justo nessas horas. Acho que é pra mostrar o quanto é mais divertido brincar.
Sempre que estou triste ele só se encosta, acho que quer dizer: “Estou aqui do seu lado, vou ficar
quietinho, mas se quiser jogar minha bola laranja e se divertir um pouquinho é só me cutucar”. Ele está do meu lado sempre. Ele não me pede colo, não me pede mais carinho, mas aceita qualquer manifestação de amor e carinho. Ele não cansa. Está ali do meu lado sempre.
quietinho, mas se quiser jogar minha bola laranja e se divertir um pouquinho é só me cutucar”. Ele está do meu lado sempre. Ele não me pede colo, não me pede mais carinho, mas aceita qualquer manifestação de amor e carinho. Ele não cansa. Está ali do meu lado sempre.Ele aceita meu mau humor, meus chiliques, minha carência, minha TPM, minha dependência dele, meus carinhos, meus beijos, meu cuidado exagerado, minha preocupação exacerbada.
Só uma cena: a família toda no Rio de Janeiro. Saiam todos para passear. Fidel ficava sozinho. Quando todos chegavam, ele cheirava pé por pé e quando reconhecia o meu cheiro começava a fazer a festa de recepção. Só depois da “mamãe”, ele cumprimentava todo mundo. Quem resiste a coisas assim? Eu não. Não preciso de mais nada. E precisa?

Um comentário:
tá mais bem cuidado que a dona!
ops eu disse isso? aehuaehae
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