quinta-feira, dezembro 27, 2007

26 cartas ao Papai Noel

Em 26 anos, muito bem vividos, sempre pedi ao Papai Noel coisas felizes. O que seriam coisas felizes? A boneca da moda, na verdade minha moda sempre foi Barbie, isso explica meu “jeitinho de ser”. Não gosto de rosa – quem conhece entende.

Coisas felizes (agora que virei gente grande e continuo colecionando as bonecas) se ressumem a sapatos, bolsas, acessórios, roupas, coisas fúteis mesmo. Nunca fui hipócrita e não serei agora dizendo que sempre pedi pela paz mundial, ou que acabasse a fome no mundo. Calma gente! Sou completamente engajada ao movimento “world peace” e contra o aquecimento global. Mas assumam: isso não é presente que se peça. Ainda mais ao Papai Noel. Poupem-me.

Enfim, depois de 26 anos, 26 cartas, 26 esperas incansáveis pelas renas voadoras, mais uma vez meu pedido foi meio egoísta e foi também uma coisa bem feliz. Pedi só por mim. Minha cartinha começa assim: Querido Papai Noel, será que esse ano de 2008 o senhor deixa eu virar dondoca? Na verdade, peço isso há muito tempo ao bom velhinho. E acreditem: ele insiste em colocar-me no meu devido lugar. O de gata borralheira. Quem entende?

Então, se passaram 26 anos e continuo na mesma: Correndo atrás do prejuízo. Trabalhando o suficiente e o dinheiro faltando também na medida certa. Sempre sobra mês no meu salário. Quem entende? Pessoas, essa história de que trabalho enobrece o homem, é papo de coronelistas, capitalistas sanguinários... respira fundo Ana Larissa. Ufa! Heloisa Helena saiu deste corpo que não a pertence.

Voltando ao Papai Noel... Com aquele ar querido de bom moço e que agrada a todos, ele de novo não foi tão legal. Serei injusta em dizer que ele não foi gente boa ao longo desses 26 anos. Mas no natal de 2007 ele apelou. O presente que me mandou foi a decisão insana de trabalhar cada vez mais, estudar igual a um condenado sem banho de sol e tentar ter estabilidade na vida. Quem entende? O bom velhinho tem dessas coisas.

Começo a considerar que o caminho das pedras é justamente esse. Posso ser dondoca sim. Fé, irmã, que o seu dia chega, mas é preciso ralar para isso acontecer de verdade.

Obrigada, Papai Noel pelas bonecas felizes, pelos sapatinhos de cristal e pelas idéias loucas que mudam a minha vida para melhor.